
Pela diretriz de vacinação da WSAVA de 2024, as vacinas essenciais dos cães protegem contra cinomose, parvovirose e adenovírus, e as dos gatos contra panleucopenia, calicivírus e herpesvírus. Onde a raiva circula, como no Brasil, a antirrábica também é essencial. Filhotes começam a partir de 6 semanas, com doses a cada 3 ou 4 semanas até 16 semanas ou mais. O vermífugo depende do estilo de vida: de 1 a 2 vezes por ano para quem não sai de casa até todo mês para animais de risco alto.
As vacinas essenciais
A WSAVA, associação mundial de veterinários de pequenos animais, publica diretrizes internacionais de vacinação. A versão de 2024 divide as vacinas em essenciais, que todo animal deve receber, e não essenciais, indicadas conforme o risco de cada um.
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Cães |
Gatos |
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Essenciais em todo o mundo |
Cinomose, parvovirose e adenovírus canino |
Panleucopenia, calicivírus e herpesvírus felino |
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Raiva |
Essencial onde a doença é endêmica |
Essencial onde a doença é endêmica |
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Depende da região |
Leptospirose, essencial onde a doença é endêmica |
FeLV (leucemia felina), essencial para gatos com menos de 1 ano e para os que têm acesso à rua ou convivem com gatos que saem |
No Brasil, as vacinas múltiplas dos cães são vendidas com nomes como V8 e V10. O veterinário escolhe a composição conforme a região e o estilo de vida do animal.
A raiva no Brasil
O vírus ainda circula. Segundo o Ministério da Saúde, os casos de raiva em animais caíram de 1.200 em 1999 para 13 em 2025. Entre 2015 e 2026, foram 270 casos em cães e gatos, e a maior parte não veio da variante típica dos cães, e sim de morcegos e outros animais silvestres.
A campanha nacional de vacinação antirrábica é gratuita e anual, com meta de vacinar 80% da população canina estimada. Em 2025, a cobertura chegou a 78%. Nem todos os estados participam: Santa Catarina e Rio Grande do Sul deixaram a campanha em 1995, e São Paulo a suspendeu em 2021.
Calendário do filhote
A diretriz vale para cães e gatos:
- Primeira dose: a partir de 6 semanas de vida, nunca antes.
- Doses seguintes: a cada 3 ou 4 semanas.
- Última dose da série: com 16 semanas de vida ou mais.
- Reforço: com 26 semanas, ou logo depois. Essa dose pega os filhotes que ainda tinham anticorpos da mãe nas doses anteriores e substitui o antigo reforço entre 12 e 16 meses.
Em situações de risco alto, como abrigos, a WSAVA admite doses a cada 2 ou 3 semanas, estendendo a série até 20 semanas.
Se o filhote foi adotado no meio da série, peça à ONG a carteirinha com as doses já aplicadas: o veterinário usa esse registro para montar o restante do calendário.
Adulto adotado sem histórico de vacina
Para cães com mais de 26 semanas, a WSAVA diz que uma dose de vacina essencial de vírus vivo modificado "muito provavelmente será suficiente" para gerar imunidade. Para gatos adultos sem histórico, a maioria dos fabricantes recomenda duas doses com intervalo de 2 a 4 semanas. Vacinas inativadas precisam sempre de duas doses, mesmo em adultos.
Quem define o esquema é o veterinário, com base no tipo de vacina disponível.
Reforços do adulto
- Vacinas essenciais contra vírus (cinomose, parvovirose e adenovírus nos cães; panleucopenia nos gatos): a diretriz recomenda reforço a cada 3 anos ou mais, porque há farta evidência publicada de que a imunidade dessas vacinas dura anos.
- Calicivírus e herpesvírus felino: a proteção é parcial, e gatos de risco alto, como os que vão a hotelzinho ou moram em casas com outros gatos, podem precisar de reforço anual.
- Leptospirose: reforço anual, porque a proteção dura menos de 18 meses.
- Raiva: segue a bula do produto (1 ou 3 anos) e a regra local.
Vermífugo
A referência aqui é a ESCCAP, conselho europeu de especialistas em parasitas de animais de companhia, cuja diretriz de controle de vermes teve a 7ª edição publicada em junho de 2025. A frequência depende do risco:
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Situação do animal |
Frequência |
|---|---|
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Vive só dentro de casa, sem contato com outros animais e sem comer carne crua |
1 a 2 vezes por ano |
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Sai de casa ou tem acesso à rua |
Pelo menos 4 vezes por ano |
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Risco alto: caça, come carne crua, vive em canil ou gatil coletivo, ou convive com crianças pequenas ou pessoas com imunidade baixa |
Todo mês |
Quando não dá para avaliar bem o risco, a recomendação é vermifugar ou fazer exame de fezes pelo menos 4 vezes por ano. A diretriz cita estudos que mostram que 1 a 3 vermifugações anuais não protegem o suficiente.
Filhotes começam cedo. Cães recebem a primeira dose com 14 dias de vida e gatos com 3 semanas, repetindo a cada 2 semanas até o desmame (nos cães, até 2 semanas depois dele). Filhotes de risco maior seguem com doses mensais até os 6 meses.
A escolha do produto e da dose fica com o veterinário, que considera peso, idade e os parasitas mais comuns na região.
Fontes
- Squires RA, Crawford C, Marcondes M, Whitley N. 2024 guidelines for the vaccination of dogs and cats, compiled by the Vaccination Guidelines Group (VGG) of the World Small Animal Veterinary Association (WSAVA). Journal of Small Animal Practice, 2024. https://doi.org/10.1111/jsap.13718
- ESCCAP. Guideline 01: Worm Control in Dogs and Cats, 7ª edição, junho de 2025. https://www.esccap.org/guidelines/gl1/
- Ministério da Saúde. Raiva animal. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/raiva/raiva-animal
- Ministério da Saúde. Cobertura vacinal de cães e gatos. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/raiva/raiva-animal/cobertura-vacinal-de-caes-e-gatos
- CRMV-SP. Atividades da Comissão de Gestão e Mercado Pet (menção às vacinas polivalentes V8 e V10). https://crmvsp.gov.br/atividades-da-comissao-de-gestao-e-mercado-pet/


