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Gatos

Filhote de gato: o que acontece nos primeiros meses

Os olhos abrem com 8 a 10 dias, os dentes de leite nascem entre 2 e 6 semanas e os permanentes entre 4 e 7 meses. A linha do tempo do filhote de gato, como estimar a idade de um gatinho achado e os sinais que pedem veterinário no mesmo dia.

Guia da faseCuidados do dia a diaFilhote
10 min de leitura
Filhote de gato tigrado de peito branco sentado no piso de taco, olhando para uma bolinha de papel amassado
Filhote e a bolinha de papel. Imagem ilustrativa gerada com IA: não retrata um animal, uma pessoa ou um caso real.
Resposta curta

O filhote de gato abre os olhos com 8 a 10 dias, anda entre 2 e 3 semanas e começa a fazer xixi e cocô sozinho entre 3 e 4 semanas. Os dentes de leite nascem entre 2 e 6 semanas e os permanentes entre 4 e 7 meses, o que ajuda a estimar a idade de um gatinho que chegou sem data. A janela de socialização abre por volta de 2 semanas e fecha entre 7 e 10, e separar da mãe antes de 8 semanas foi associado a mais agressividade. Filhote gelado, com diarreia ainda mamando, ou com febre e sem comer vai ao veterinário no mesmo dia.

O que muda nesta fase

Pela diretriz de fases da vida felina da AAHA e da AAFP, de 2021, a fase de filhote de gato vai do nascimento até 1 ano. Nenhum outro ano da vida dele muda tanto.

Nas primeiras semanas, o gatinho depende da mãe para comer, se aquecer e até para fazer xixi e cocô, o que só passa a fazer sozinho entre 3 e 4 semanas. A revisão de neonatologia felina de Veronesi e Fusi, de 2022, divide esse começo em amamentação, até as 4 semanas, e desmame, das 4 às 8 semanas mais ou menos. Depois vêm a janela de socialização, a troca dos dentes e o resto do crescimento. A ferramenta de idade e fase da vida mostra as fases que vêm depois.

Quem adota quase nunca acompanha esse ano desde o começo. A AVMA, associação veterinária dos Estados Unidos, considera ideal que o filhote vá para a casa nova com 7 a 9 semanas, segundo um estudo finlandês de 2017 que cita a entidade. Nessa idade, a janela em que ele aceita gente com mais facilidade já está perto de fechar.

Mês a mês

Os marcos das 4 primeiras semanas vêm da tabela de Veronesi e Fusi, e os dentes, do Merck Veterinary Manual. Todas as idades são médias.

Mês a mês

Idade

O que acontece

O que fazer

3 dias

Cai o coto do umbigo.

Filhote órfão: cômodo quieto, limpo e ventilado, sem corrente de ar.

1 a 2 semanas

O ouvido abre entre 6 e 14 dias e os olhos entre 8 e 10. Engatinha.

Pesar todo dia. O ganho esperado é de cerca de 10 g por dia.

2 a 3 semanas

Começa a andar. Nascem os incisivos de leite. Abre a janela de socialização.

Pesar duas vezes por semana até o fim do desmame. Contato gentil com pessoas.

3 a 4 semanas

Faz xixi e cocô sem o estímulo da mãe. Nascem os caninos de leite. Com 28 dias, tem postura de gato.

Caixa de areia de borda baixa. Primeiro vermífugo com 3 semanas.

4 a 8 semanas

Desmame. Pré-molares de leite com 5 a 6 semanas.

Alimento de filhote. Primeira vacina, não antes de 6 semanas.

8 a 12 semanas

A janela de socialização fecha entre 7 e 10 semanas. A brincadeira com outros gatos chega ao pico por volta de 12.

Casa nova depois de 8 semanas. De 30 a 60 minutos por dia de contato agradável com gente. De 3 a 4 refeições por dia.

3 meses

Idade a partir da qual a rede pública de SP e MS aplica a antirrábica.

Vacinar e repetir a cada 12 meses.

4 a 7 meses

Nascem todos os dentes permanentes.

Olhar a boca. Programar a castração.

6 a 8 meses

Alguns gatos têm gengivite juvenil.

Gengiva inchada e mau hálito pedem consulta.

9 a 12 meses

Fim do alimento de filhote.

Ração de adulto quando o veterinário indicar.

Como estimar a idade de um filhote que chegou sem data

A tabela funciona de trás para a frente. De olhos fechados, o filhote tem menos de 10 dias. Se anda, mas sem firmeza, está entre 2 e 4 semanas. Faz as necessidades sozinho e para de pé como gato: 4 semanas ou mais.

Depois disso, a boca informa mais que o corpo. Pela tabela de erupção do Merck, sem nenhum dente o filhote costuma ter menos de 2 a 3 semanas. Só com os incisivos de leite, os da frente, tem de 2 a 4 semanas. Com os caninos de leite, 3 a 4. Com os pré-molares de leite, 5 a 6 semanas ou mais. Dente permanente nascendo indica de 4 a 7 meses.

Há limite nisso, e quem avisa é o próprio manual: a tabela traz médias "sujeitas a variação considerável", e em cão e gato a idade pelos dentes é menos precisa. O peso ajuda só no começo, porque o filhote nasce com cerca de 100 g e ganha de 50 a 100 g por semana até o desmame. A regra prática de "meio quilo por mês" para filhote maior ficou fora deste guia: não achamos base para ela em fonte revisada por pares.

Saúde

Na versão para tutores, o Merck recomenda consulta a cada 3 a 4 semanas até por volta dos 6 meses, para vacina e controle de parasitas.

Vacinas

O esquema completo, pela WSAVA, está no texto sobre vacina de gato. Na linha do tempo, dois pontos importam: a primeira dose não vem antes de 6 semanas, e a última dose do filhote cai com 16 semanas ou mais.

A antirrábica segue um corte brasileiro. O Informe Técnico 01/2025 do Instituto Pasteur, da Secretaria da Saúde de São Paulo, recomenda vacinar cão e gato a partir dos 3 meses e revacinar a cada 12 meses, e a nota de Mato Grosso do Sul para a campanha de 2026 repete o corte.

O relatório da WSAVA para a América Latina, de 2020, registra que pet shops da região podem vacinar filhotes antes da venda e que donos compram vacina para aplicar em casa, com esquemas "mal pensados". Leve a carteirinha à primeira consulta para o veterinário conferir as datas. O relatório traz também um estudo brasileiro com 108 filhotes não vacinados, com e sem conjuntivite: 57,4% tinham herpesvírus felino, 37,0% calicivírus e 24,1% Chlamydia felis, três causas de infecção respiratória do gato.

Vermes

No cão, a lombriga Toxocara passa ao filhote pela placenta e pelo leite. No gato, só pelo leite: a infecção antes do nascimento não acontece, explica a diretriz da ESCCAP, conselho europeu de parasitologia veterinária. Por isso a primeira dose do filhote de gato vem com 3 semanas, contra 14 dias no cão. O intervalo das seguintes fica com o veterinário, que conhece o risco da casa, e o texto sobre vermífugo para gato explica o que muda depois.

Pulgas: nunca o produto do cachorro

Pulga e carrapato no filhote se tratam só com produto aprovado para filhote, diz o Merck. O erro perigoso é usar o do cachorro. Num estudo australiano com 42 gatos intoxicados por permetrina, em 41 o produto era um antipulgas spot-on, a pipeta de nuca, feito para cão. Em 3 casos, ele tinha sido aplicado só no cachorro que morava com o gato. Houve tremores em 86% dos gatos e convulsão em 33%.

Alimentação

Leite de vaca fica fora. Veronesi e Fusi escrevem que o filhote não deve receber leite de vaca nem de outra espécie, porque o leite errado provoca diarreia aguda, regurgitação, gases, cólica e desnutrição. Para o órfão, a melhor opção, segundo os autores, é o substituto comercial de leite para filhote. Qual e quanto, quem define é o veterinário.

O desmame começa por volta de 4 semanas, e com 3 no órfão. A AAHA e a AAFP liberam alimento comercial balanceado de filhote a partir de 3 a 5 semanas e registram que a preferência alimentar é muito influenciada pela mãe: vale perguntar a quem doou o que ele comia. Abaixo de 4 meses, o Merck recomenda de 3 a 4 refeições por dia, e alimento de filhote até por volta de 9 a 12 meses. A quantidade depende do peso e da idade, e a conta está no guia de quanto alimentar cão e gato.

O peso depois do desmame

"A prevenção da obesidade começa no filhote", diz a diretriz da AAHA e da AAFP. Em 2022, Salt e colegas publicaram curvas de crescimento para gatos sem raça definida de pelo curto e não castrados, das 8 às 78 semanas, com dados de clínicas dos Estados Unidos. Filhotes que sobem duas ou mais faixas da curva tendem a chegar à vida adulta acima do peso. Por isso vale pesar o gato em toda consulta.

A castração mexe nessa curva. Em 2023, o mesmo grupo mostrou que o peso sobe mais depois da cirurgia, sobretudo nas fêmeas: num grupo pequeno, de 11 pares de irmãs criadas em colônia de pesquisa, as gatas castradas com 19 semanas estavam mais pesadas e com mais gordura com 52 semanas do que as não castradas. Os autores pedem peso acompanhado de perto depois da castração. Os dois estudos têm autores ligados a um grupo fabricante de ração, conflito que eles próprios declaram.

Comportamento e rotina

A janela de socialização

Cada fonte dá um intervalo diferente:

  • Veronesi e Fusi: de 2 a 7 semanas;
  • Ahola e colegas: de 2 a 8;
  • FelineVMA, entidade americana de veterinários de felinos: mais ou menos de 2 a 9;
  • AAHA e AAFP: começa com 2 a 3 e pode estar fechando com 9 a 10, variando de gato para gato.

Juntando todas, a janela abre por volta de 2 semanas e fecha entre 7 e 10. A AAHA e a AAFP dão mais peso à qualidade do que ao calendário: de 30 a 60 minutos por dia de contato agradável com gente, sem sustos nos primeiros encontros, com o filhote chegando perto no tempo dele. A mesma diretriz pede acostumar cedo à caixa de transporte, à clínica, ao corte de unha, à escova e a ter boca, orelhas e patas manuseadas, sempre com uma recompensa junto.

Sem contato positivo com pessoas nessa janela, o gato pode ter medo de gente a vida toda, afirma a FelineVMA. Para o filhote ferino, nascido na rua, a entidade não apoia tentar socializar depois dos 4 meses e prefere captura, castração e devolução. É a posição de uma entidade dos Estados Unidos, não uma regra, e quem resgata decide o caso com o veterinário.

Com quantas semanas separar da mãe

A página do Merck para tutores diz que o filhote pode deixar a mãe a partir de 6 a 7 semanas. Um estudo de Ahola, Vapalahti e Lohi, publicado em 2017 na Scientific Reports com 5.726 gatos da Finlândia, sugere esperar mais. Os separados antes de 8 semanas mostraram mais agressividade. Entre eles, a chance estimada de o tutor apontar problema de comportamento foi de 18%, contra 7,9% nos separados com 12 a 13 semanas.

Os autores apontam os limites: o estudo é transversal, mostra associação e não causa, e a amostra é de conveniência, com proporção alta de gatos de raça. Mesmo assim, 8 semanas é também o mínimo que a RSPCA da Austrália, entidade de proteção animal, recomenda, segundo o artigo. Com o que se sabe hoje, o mais prudente é não separar antes de 8 semanas.

Brincadeira, caixa de areia e microchip

A brincadeira com outros gatos chega ao pico por volta de 12 semanas, e depois o filhote passa a brincar mais com objetos. A AAHA e a AAFP pedem que o tutor não use mão nem pé como brinquedo: o gato aprende que pode brincar assim, e a brincadeira vira arranhão e mordida.

O filhote aprende com a mãe onde fazer as necessidades e em que areia. Para começar, a diretriz sugere areia sem perfume que forma torrão, ou a mesma que ele já usava, numa caixa de borda baixa, e uma caixa maior conforme ele cresce. Recomenda também microchip em todo gato.

Sinais para levar ao veterinário

Veterinário no mesmo dia:

  • Filhote de olhos fechados achado sozinho. Mantenha aquecido e não dê leite de vaca. Pela revisão de Veronesi e Fusi, filhote abaixo de 35,5 °C não deve ser alimentado, e o aquecimento precisa ser gradual.
  • Diarreia em filhote que ainda mama. Segundo Veronesi e Fusi, o quadro pode piorar em questão de horas, com desidratação e queda de açúcar no sangue.
  • Febre, prostração e recusa total de comida. Podem ser sinais de panleucopenia, que o Merck registra sobretudo entre 4 semanas e 2 anos, com vômito 1 a 2 dias depois da febre. Diferente da parvovirose do cão, a diarreia nem sempre aparece e costuma vir sem sangue: quem espera o quadro do cachorro perde tempo. Em filhote achado na rua ou vindo de abrigo, morte súbita pode ser o primeiro sinal.
  • Tremor, espasmo ou convulsão depois de antipulgas de cachorro, aplicado no filhote ou no cão da casa.

Consulta sem esperar a próxima vacina:

  • peso que parou de subir ou caiu antes do desmame;
  • espirro ou secreção no olho;
  • xixi ou cocô fora da caixa, que a AAHA e a AAFP mandam investigar em busca de defeito congênito, vermes ou infecção;
  • dente de leite que continua ao lado do permanente, que o Merck manda o veterinário remover assim que notado;
  • gengiva inchada e mau hálito entre 6 e 8 meses.

Perguntas frequentes

Preciso vermifugar antes de vacinar? Não. O relatório da WSAVA para a América Latina chama a ideia de crença comum e escreve que não há evidência de que a carga "normal" de vermes atrapalhe a resposta à vacina. A vacina fica para depois só quando o filhote está muito doente, por exemplo anêmico por verminose pesada.

Com quantos meses o gato para de crescer? Não existe um número único. O Merck indica alimento de filhote até 9 a 12 meses, a AAHA e a AAFP tratam o gato como filhote até 1 ano, e as curvas de Salt acompanham o peso até 78 semanas, cerca de 1 ano e meio. No Merck, o desenvolvimento dos dentes vai até 1 ano e meio.

Posso usar o antipulgas do cachorro em dose menor no filhote? Não. No estudo australiano, em 8 casos menos de um tubo inteiro foi aplicado no gato, e em 3 o tutor dividiu um tubo entre dois a quatro animais. A dose menor não evitou a intoxicação. O produto certo é o aprovado para filhote, indicado pelo veterinário.

Fontes

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  2. Veronesi MC, Fusi J. Feline neonatology: From birth to commencement of weaning, what to know for successful management. Journal of Feline Medicine and Surgery, 2022. https://doi.org/10.1177/1098612X221079709
  3. Ahola MK, Vapalahti K, Lohi H. Early weaning increases aggression and stereotypic behaviour in cats. Scientific Reports, 2017. https://doi.org/10.1038/s41598-017-11173-5
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  15. Day MJ, Crawford C, Marcondes M, Squires RA. Recommendations on vaccination for Latin American small animal practitioners: a report of the WSAVA Vaccination Guidelines Group. Journal of Small Animal Practice, 2020. https://doi.org/10.1111/jsap.13125
  16. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Instituto Pasteur. Informe Técnico 01 IP/CCD/SES-SP: Vacinação antirrábica canina e felina. São Paulo, 2025. https://www.saude.sp.gov.br/resources/instituto-pasteur/pdf/nota-tecnica/informetecnicoip01_vacinacaoantirrabicaparacaes-gatos.pdf
  17. Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul. Nota Informativa: Campanha de vacinação antirrábica em cães e gatos 2026. Campo Grande, 2026. https://www.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/Nota-Informativa-Campanha-de-Vacinacao-Antirrabica-Animal-2026.pdf

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